terça-feira, 11 de abril de 2017

Lua de Júpiter será primeiro alvo na busca por vida extraterrestre

Lua de Júpiter será primeiro alvo na busca por vida extraterrestre
Europa tem um vasto oceano salgado debaixo de uma camada de gelo. [Imagem: NASA/JPL-Caltech/SETI]
Rabiscos promissores
Depois de duas décadas de preparações e adiamentos, duas missões estão prestes a partir para Europa, uma das dezenas de luas de Júpiter que se transformou na maior chance de encontrar vida extraterrestre no Sistema Solar.
O satélite, um dos 67 já identificados ao redor de Júpiter, é menor do que a nossa Lua e, à distância, parece uma bola com riscos que parecem ter sido feitos por uma criança.
De perto, porém, os rabiscos são longas rachaduras no gelo que cobre a superfície de Europa e que se estendem por milhares de quilômetros. Muitas dessas rachaduras estão cheias de uma substância ainda desconhecida, apelidada pelos cientistas de "gosma marrom".
Exo-oceano
A imensa gravidade de Júpiter gera forças que repetidamente criam um efeito elástico na lua. Mas os estresses criados na superfície de Europa parecem ser melhor explicados pela crosta de gelo flutuando em um oceano.
"Sabemos que há água sob a superfície por causa de medições feitas por missões anteriores. E isso faz de Europa um dos mais excitantes locais potenciais para procurarmos por vida," afirma Andrew Coates, do Laboratório Mullard de Ciências Espaciais da Universidade College de Londres.
O oceano de Europa tem uma profundidade estimada entre 80 km e 170 km - isso significa que poderia ter um volume de líquido duas vezes maior do que a água de todos os oceanos da Terra.
A água é um pré-requisito vital para a existência de vida como a conhecemos, mas o oceano de Europa pode ter outros pré-requisitos, como uma fonte de energia química para micróbios.
E mais: o oceano pode "se comunicar" com a superfície por uma série de maneiras, incluindo blocos aquecidos de gelo furando a crosta superficial. Assim, o estudo da superfície pode dar pistas do que está acontecendo embaixo, na água.
Lua de Júpiter será primeiro alvo na busca por vida extraterrestre
Imagens da superfície de Europa feitas pela missão Galileu mostram, em sentido horário a partir da superior esquerda: (1) crosta de gelo quebrada na região conhecida como Conamara; (2) placas da crosta que, acredita-se, quebraram e se arranjaram em posições diferentes; (3) faixas avermelhadas; e (4) uma cratera que pode ter o tamanho do Havaí. [Imagem: NASA/JPL/University of Arizona]
Exploração de Europa
É por isso que a NASA está preparando duas missões para explorar Europa.
Uma delas é a Clipper, com lançamento previsto para 2022 e que ficará na órbita da lua. A outra, ainda sem nome, será uma tentativa de pousar.
"Queremos investigar o potencial que Europa tem de abrigar vida. Por isso precisamos tentar entender o que se passa no oceano e na crosta gelada - da composição à geologia, bem como o nível de atividade," explicou Robert Pappalardo, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e principal investigador da Clipper.
A sonda espacial levará nove instrumentos, incluindo uma câmera que mapeará a maior parte da superfície da lua. Espectrômetros analisarão a composição química, enquanto um radar de alta potência fará um mapeamento tridimensional da camada gelada. Por fim, um magnetômetro analisará as características mais gerais do oceano.
Lua de Júpiter será primeiro alvo na busca por vida extraterrestre
A sonda Clipper será um verdadeiro acrobata espacial, com órbitas complicadas para fazer vários sobrevoos em Europa. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]
Energia para a vida
Se há um fator que torna Europa um caso especial é sua vizinhança: a órbita da lua a leva bem adentro do poderoso campo gravitacional de Júpiter, que captura e acelera partículas criando cinturões de radiação intensa.
Essa radiação pode "fritar" os componentes eletrônicos das espaçonaves, o que limita a duração das missões espaciais. Mas a mesma radiação causa reações químicas na superfície de Europa, resultando em compostos oxidantes.
Na Terra, reações entre oxidantes e compostos redutores fornecem a energia necessária para a vida. Mas em Europa esses oxidantes só são úteis para possíveis micróbios se chegarem ao oceano. Os cientistas acreditam que isso pode acontecer com o processo de convecção da crosta, e que reatores criados pela interação entre a água salgada e o fundo rochoso do oceano podem reagir com os oxidantes.
Pouso em Europa
A planejada segunda missão, projetada para pousar em Europa, poderá usar a tecnologia de "guindaste espacial" (Sky Crane), a mesma que de forma bem-sucedida pôs na superfície de Marte o jipe-robô Curiosity, em 2012. A sonda teria um sistema autônomo de aterrissagem para detectar obstáculos em tempo real.
Sendo assim, a missão Clipper terá a função de também fazer o reconhecimento para um local de pouso da segunda missão. "É como se estivéssemos procurando um oásis, com água próxima à superfície. Talvez a água seja morna e tenha materiais orgânicos", explica Pappalardo.
A sonda que pousaria em Europa seria ainda equipada com uma serra para coletar amostras de gelo mais profundas e menos atingidas pela radiação. "Queremos buscar as amostras mais preservadas possíveis. Uma forma é cavar fundo, a outra é buscar algum local em que tenha havido algum tipo de erupção, em que material fresco está caindo na superfície", diz Niebur.
Lua de Júpiter será primeiro alvo na busca por vida extraterrestre
Pousando uma sonda em Europa, será possível determinar se a vida existe ou já existiu na lua de Júpiter. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]
Encélado
Mas desde que a missão Galileu descobriu sinais da existência de água em Europa, nos anos 90, sabemos que a lua jupteriana não é um caso isolado.
"Uma das mais significativas descobertas da última década em exploração planetária é que, se você atirar uma pedra nos planetas do Sistema Solar além de Marte, você acabará acertando um mundo com oceanos", diz Curt Niebur, também membro da missão Clipper.
Em Encélado, uma das luas de Saturno, por exemplo, há um oceano subterrâneo que provoca "erupções" por meio de fissuras no polo sul. O satélite natural, por sinal, poderá ser o destino de uma missão na próxima década.
Niebur, porém, acredita no maior potencial de Europa: "Europa é muito maior que Encélado e tem mais de tudo: atividade geológica, água, espaço, calor e estabilidade em seu ambiente."

Fonte : Inovação Tecnológica

quarta-feira, 1 de março de 2017

Supertelescópio pronto para tirar primeira foto de um buraco negro

Com informações da BBC -  

Supertelescópio pronto para tirar primeira foto de um buraco negro
Sem nunca ter visto um buraco negro, os astrônomos apenas fazem uma ideia do que esperam. [Imagem: Hotaka Shiokawa/CFA/HARVARD]
Horizonte de eventos
Astrônomos acreditam estar prestes a obter a primeira imagem de um buraco negro. Para isso, eles construíram um telescópio virtual do tamanho da Terra conectando radiotelescópios nos EUA, no Polo Sul, no Havaí, na América do Sul e na Europa.
Há um grande otimismo de que as observações, que serão realizadas entre 5 e 14 de abril, possam finalmente revelar a tão aguardada imagem que comprovaria definitivamente a existência desses corpos celestes.
Na mira do Telescópio de Horizonte de Eventos (EHT: Event Horizon Telescope) estará o longamente teorizado buraco negro no centro da nossa galáxia, catalogado como Sagitário A*.
Embora nunca tenha sido diretamente observado, os astrônomos acreditam na sua existência devido ao movimento das estrelas próximas. Elas se movimentam em torno de um ponto no espaço a uma velocidade de milhares de quilômetros por segundo, sugerindo que o buraco negro tenha uma massa quatro milhões de vezes a do Sol.
Porém, por maior que o Sagitário A* pareça ser, seu horizonte de eventos - ou a "borda" do buraco negro onde a força gravitacional é tão forte que pode ser difícil escapar - não deve ter mais do que 20 milhões de quilômetros de diâmetro.
Com isso, a uma distância de 26 mil anos-luz da Terra, o Sagitário A* deve ser apenas um minúsculo ponto no céu. Ainda assim, a equipe do EHT está bastante otimista. "Há uma grande emoção. Estamos trabalhando no telescópio virtual há quase duas décadas e, em abril, vamos fazer as observações que esperamos ser as primeiras a colocar o horizonte de eventos do buraco negro em foco," disse o diretor do projeto Sheperd Doeleman, do Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA.
Como é um buraco negro?
Sem nunca ter visto um buraco negro, os astrônomos apenas fazem uma ideia do que esperam ver. Simulações baseadas nas equações de Einstein preveem um anel brilhante no entorno de uma forma escura.
A luz seria produzida por partículas de gás e poeira aceleradas em alta velocidade e destruídas pouco antes de desaparecer no buraco. Já a área escura seria a sombra que o buraco lança nesse turbilhão, impedindo a visualização das estrelas do outro lado.
Supertelescópio pronto para tirar primeira foto de um buraco negro
Apesar do entusiasmo, há físicos que afirmam que os buracos negros são matematicamente impossíveis. Mesmo Stephen Hawking já disse que buracos negros podem não existir como os cientistas os imaginam. [Imagem: UNC]
"Agora, pode ser que vejamos algo diferente", disse Doeleman. "Nunca é uma boa ideia apostar contra Einstein, mas se observarmos algo muito diferente do que esperamos, talvez tenhamos que reavaliar a teoria da gravidade. Não acredito que isto vá ocorrer, mas qualquer coisa pode acontecer e esta é a beleza disso tudo".
Se existem falhas a serem encontradas nas ideias de Einstein - e muitos suspeitam que existam explicações mais complexas para a gravidade esperando para serem descobertas -, não parece haver lugar melhor do que um buraco negro para que essas limitações sejam expostas.
Mas os resultados não virão rápido. Pode levar até o final do ano, ou talvez até o início de 2018, para que a equipe tenha tempo de analisar todos os dados coletados e divulgar a primeira imagem do buraco negro.
Interferometria
O truque do EHT é uma técnica chamada Interferometria de Longa Linha de Base (VLBI na sigla em inglês). Ela combina uma rede bastante ampla de radiotelescópios de vários pontos da Terra criando um telescópio virtual gigante capaz de produzir a resolução necessária para observar o buraco negro distante no espaço.
O EHT tem como objetivo inicialmente chegar a uma precisão de 50 microarco-segundos. Segundo a equipe, isto significa que o telescópio conseguiria capturar a imagem de uma laranja na superfície da Lua vista da Terra.

Ao longo dos anos, cada vez mais instalações de radioastronomia foram acrescentadas ao projeto. A última instalação estratégica a ser incluída foi o Observatório ALMA (ou Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), no Chile. Inaugurada em 2013 no Deserto do Atacama, o observatório abriga 66 antenas de sete metros de diâmetro cada, que também podem ser movimentadas para ampliar a resolução. Só o ALMA aumentou a sensibilidade do EHT por um fator de 10.
Fonte: Inovação Tecnológica

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Para grupo de cientistas, mundo pode estar mais próximo do apocalipse

  • Charles Levy
Um grupo de cientistas diz que o mundo se aproximou do apocalipse no último ano, diante de um cenário de segurança que vem se tornando obscuro e dos comentários do novo presidente americano, Donald Trump.
O Boletim dos Cientistas Atômicos (BPA, na sigla em inglês) moveu o ponteiro do relógio Doomsday, que simboliza quão próximos estamos de uma hecatombe, de três minutos para dois minutos e meio antes da meia-noite - quanto mais perto dela, mais iminente está o fim do mundo, na avaliação dos pesquisadores.
É o mais próximo que o relógio chegou da meia-noite desde 1953, quando o ponteiro foi movido para dois minutos por causa de testes de bomba de hidrogênio feitos pelos EUA e pela Rússia.
Em um relatório, o BPA disse que as declarações de Trump minimizando as mudanças climáticas, a expansão do arsenal nuclear dos EUA e o questionamento acerca das agências de inteligência contribuíram para o aumento do risco global.
A chefe da BPA, Rachel Bronson, pediu aos líderes mundiais que "acalmem mais do que alimentem as tensões que podem levar à guerra".

O que é o relógio Doomsday?

O ponteiro dos minutos no Relógio do Juízo Final é uma metáfora de quão vulnerável à catástrofe o mundo está.
O dispositivo simbólico foi criado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos em 1947 - o BPA havia sido fundado na Universidade de Chicago em 1945 por um grupo de cientistas que ajudaram a desenvolver as primeiras armas atômicas.
Hoje, o coletivo inclui físicos e cientistas ambientais de todo o mundo, que decidem como ajustar o relógio após consultar também o Conselho de Patrocinadores do grupo - que inclui 15 prêmios Nobel.

Por que ele se moveu meio minuto para mais perto da meia-noite?

Nos últimos dois anos, o ponteiro do Relógio do Juízo Final permaneceu fixado em três minutos antes da meia-noite. Mas o BPA diz que o perigo de desastre global é ainda maior em 2017, e decidiu mover o marcador 30 segundos para a frente.
"Os comentários perturbadores sobre o uso e proliferação de armas nucleares feitos por Donald Trump, bem como a descrença no consenso científico sobre a mudança climática expressa por Trump, e por vários dos nomeados para o seu gabinete, afetaram a decisão da diretoria, assim como o surgimento de nacionalismo estridente em todo o mundo."
Outros fatores listados no relatório da BPA incluem dúvidas sobre o futuro do acordo nuclear do Irã, ameaças à segurança cibernética e o surgimento de notícias falsas.
A decisão da diretoria de mover o ponteiro em menos de um minuto - algo que nunca fez antes - é porque Trump só recentemente assumiu o cargo e muitas de suas nomeações ainda não estão atuando no governo.

Como a ameaça se compara aos anos anteriores?

Quando foi criado em 1947, os ponteiros do relógio estavam em sete minutos antes da meia-noite. Desde então, isso mudou 22 vezes, variando de dois minutos para a meia-noite em 1953 a 17 minutos para a meia-noite, em 1991.
O relógio foi ajustado pela última vez em 2015, quando foi transferido de cinco para três minutos antes da meia-noite, diante de perigos como as mudanças climáticas e a proliferação nuclear. Esse foi o mais próximo que ele chegou da meia-noite em mais de 20 anos.
A última vez em que esteve no patamar dos três minutos foi em 1984, quando as relações entre os EUA e a União Soviética atingiram seu ponto mais crítico.
Fonte: Uol notícias 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Meteorito metálico é encontrado em Marte

Com informações da BBC -  

Meteorito metálico é encontrado em Marte
A composição metálica se destaca em relação às rochas marcianas.[Imagem: NASA]
Meteorito em Marte
robô marciano Curiosity descobriu uma rocha estranha, que tudo indica ser um meteorito metálico que caiu na superfície de Marte.
As imagens também revelam que o objeto tem sulcos compatíveis com o atrito de entrada na atmosfera de um planeta.
Observações iniciais sugerem que o meteorito pode ter caído há relativamente pouco tempo, pois sua superfície parece suave e brilhante - ele ainda não teria sido erodido. Outra possibilidade é que pode se tratar de um meteorito antigo que foi polido pelas tempestades de areia que varrem o planeta.
O objeto está sendo analisado pelo raio laser que o robô usa para vaporizar parte da superfície das amostras, enquanto um espectrômetro detecta sua composição através da análise da nuvem de plasma provocada pelo laser.
Núcleo
As imagens sugerem que a rocha consiste em uma combinação de ferro e níquel.
Os dados coletados pelo Curiosity, que ainda estão sendo analisados, mostrarão se ele foi formado a partir do núcleo de um asteroide.
Se confirmado, seria o terceiro meteorito desse tipo encontrado pelo Curiosity desde agosto de 2012, quando o robô pousou na superfície do planeta. Desde então, o robô já percorreu 15 km na superfície de Marte.
Meteorito metálico é encontrado em Marte
Os pontos brancos foram gerados pelo laser do Curiosity, que vaporiza o material para estudar sua composição. [Imagem: NASA]
Meteoritos metálicos
Na verdade, os robôs marcianos já encontraram sete meteoritos metálicos no planeta, o que por si só é algo interessante: Na Terra, 95% dos meteoritos encontrados são rochosos, e não metálicos.
Qual seria a causa dessa diferença? Pode ser fruto da diferença de ambientes entre os dois planetas no que diz respeito à erosão. Ou pelo fato de o terreno escarpado de Marte tornar mais difícil a localização de rochas específicas.

A ausência de oxigênio e água na atmosfera de Marte impede a oxidação dos corpos metálicos, enquanto os rochosos são erodidos pelo vento e pelas mudanças de temperatura.
Disponível em: Inovação Tecnológica

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Clique Ciência: se a Lua gira, por que vemos apenas uma de suas faces?

  • K.M. Chaudary/AP
Se você é um admirador da Lua, já deve ter reparado que daqui da Terra é possível ver apenas uma de suas faces, independentemente da época do mês. Isso acaba dando a sensação de que o astro é estático, quando na verdade ele gira em torno de si mesmo continuamente.
O tempo que a Lua demora para dar essa volta completa é de 29,5 dias, um período conhecido como mês lunar.
Mas, então, por que vemos apenas um de seus lados? Porque existe uma sincronia entre o tempo que ela leva para dar a volta em si mesma (sua rotação) e o tempo necessário para dar uma volta completa ao redor da Terra, movimento chamado de translação. Essa perfeita sintonia acaba deixando apenas um de seus lados visíveis para nós.
Quer comprovar? Faça o seguinte teste: enquanto você gira em torno de si mesmo, peça a um amigo para fazer o papel da Lua e repetir os movimentos do satélite. Uma vez em que a sincronia esteja estabelecida, seu colega jamais te dará as costas. Muito pelo contrário, vocês ficarão sempre de frente um para o outro.
Divulgação/Nasa
O lado escuro da Lua e a Terra, vistos a partir do espaço
Essa sincronia perfeita entre Lua e Terra só é possível pela ação da energia gravitacional entre eles e, especialmente, pelas forças da maré dos oceanos. Segundo o astrônomo Rundsthein de Nader, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), há muitos milhões de anos a Lua era bem mais próxima da Terra. Conforme ela foi se afastando, a troca de energias com o nosso planeta foi se acomodando e o resultado foi essa sincronia entre os períodos de rotação e de translação.
Apesar de também ser conhecida como lado escuro, a face oculta da Lua é bastante iluminada. Ironicamente, ela passa mais tempo recebendo luz solar do que aquela vista por nós porque não tem eclipses.
"A sombra da Terra projetada na Lua, que caracteriza os eclipses lunares, cai sempre no lado voltado para nós", explica o astrônomo Roberto Costa, professor do Departamento de Astronomia da USP.
O lado distante, como também é conhecido, foi fotografado na década de 1960 por satélites dos Estados Unidos e da União Soviética. Seu terreno tem algumas diferenças geológicas. É nessa face que se encontra a maior quantidade de crateras, formadas pelo impacto com asteroides, já que é a parte que fica mais exposta. O lado visível tem terreno predominante de marés e de regiões montanhosas.
Como na Lua não existe atmosfera, ventos ou chuvas, não há erosão e todas as marcas de impactos passados continuam visíveis e inalteradas. Recentemente, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter fez um mapeamento detalhado de toda a superfície.
Fonte: UOL

sábado, 14 de janeiro de 2017

Você pode ser cidadão do primeiro país fora da Terra

Inspirada pelas terras de Thor e Odin, a primeira nação espacial está em busca de terráqueos que queiram tirar a dupla cidadania asgardiana

Asgardia

Se você sempre se sentiu deslocado na Terra, sua hora chegou. O primeiro país espacial foi oficialmente fundado – pelo menos no papel – e você já pode até dar entrada no pedido de dupla cidadania.
A astronação ganhou o nome de Asgardia, em homenagem a Asgard, terra de Thor, Odin e os outros deuses nórdicos. O slogan do país é “Paz no Espaço” e a ambição do projeto é evitar que os conflitos geopolíticos da Terra sejam transferidos junto com a colonização humana do espaço.
Mais de 370 mil pessoas já se inscreveram para ganhar a cidadania de Asgardia. A maioria delas mora hoje na China, nos EUA e na Turquia. Com a população atual, Asgardia seria o 178º país mais populoso do mundo, à frente de Belize e da Islândia, e os números só crescem.
As condições básicas para ser um asgardiano é ter mais de 18 anos e morar em um país que permite a dupla cidadania. Os candidatos podem se inscrever no Asgardia.space.
A ideia é que os primeiros 100 mil inscritos tenham preferência no processo de seleção, mas os experts por trás do novo conceito de nação também estão buscando as pessoas baseadas em suas competências. Profissionais de tecnologia, ciência e direito espacial estão entre os mais cobiçados. Investidores nessas áreas também podem furar a fila para ganhar a carteirinha de asgardianos.
A nova nação pretende decidir sua bandeira, sua insígnia e seu hino com participação popular. O concurso para o design da bandeira, inclusive, já está disponível. Qualquer um pode mandar sua ideia, que vai ser votada online pelos asgardianos.
Falando sério
O fundador de Asgardia é o cientista e empresário Igor Ashrbeyli, russo nascido no Azerbaijão. Ele se cercou de cientistas renomados para seu projeto visionário.
Um dos que mais chamam a atenção é Ram Jakhu, diretor do Instituto de Direito Aéreo e Espacial da Universidade McGill, uma das mais importantes do mundo (a Harvard canadense, de acordo com Os Simpsons).
Em termos práticos, o time de empresários e cientistas por trás da iniciativa está colocando grana própria e buscando parcerias para lançar um satélite na órbita terrestre e dar o primeiro passo na democratização da exploração espacial, que hoje só faz parte da realidade de um pequeno grupo de nações desenvolvidas. A ideia é que esse satélite seja lançado entre 2017 e 2018, em homenagem ao aniversário de 60 anos desde que o primeiro satélite humano entrou em órbita.
Como o lançamento tem que ser feito da Terra e Asgardia não pretende ter território no nosso planetinha, o objetivo dos fundadores é fazer uma parceria com um país em desenvolvimento, que não tem tradição de exploração espacial – tipo o Brasil.
É aí que entra o dilema muito sério que o projeto de Asgardia, por mais bizarro que seja, se propõe a discutir. Só 20 dos mais de 200 países da Terra tem algum acesso ao espaço e alguns deles já estão pensando em como explorar recursos extraterrestres. Enquanto isso, o direito espacial está anos-luz de ter criado medidas regulatórias para lidar com esse tipo de situação. O risco é que se criem monopólios nacionais, que a desigualdade aumente absurdamente (aqui e lá) e que as tensões econômicas e geopolíticas que temos por aqui se reflitam no Universo afora.
No momento, o que Asgardia vai fazer é reunir pessoas dispostas a pensar sobre essas questões indo além das limitações nacionais, porque estariam todos unidos sob a nação asgardiana, para proteger os direitos da humanidade.
Para que o país seja reconhecido pela ONU, ele precisa ter território próprio. Então, a ideia é que Asgardia tenha uma nave tripulada passeando pelo espaço – sim, a nave seria um território perambulante. Mas pode segurar a empolgação. O objetivo não é que Asgardia seja uma nação geográfica, em que todo mundo vive junto. Então, dificilmente todo cidadão vai sair da Terra para conhecer o país.
Disponível em: EXAME.com